
Thalma de Freitas é um talento lapidado desde a infância. Nascida em
lar, que sempre prezou pelo amor às artes, a renomada atriz, cantora e
compositora brasileira é filha do lendário pianista, tecladista, maestro, e
compositor Laércio de Freitas, sendo esse fato crucial para a trajetória de
Thalma ao desenvolver suas múltiplas facetas artísticas.
Nascida em 14 de maio de 1974, no Rio de Janeiro, Thalma de Freitas
explora em sua carreira musical uma variada gama de gêneros que
incluem samba, bossa nova, soul jazz, afro-brasilidades e música
eletrônica. Essas experimentações sonoras podem ser conferidas em
trabalhos como o EP "Thalma de Freitas" (2004) e o aclamado álbum
“Sorte!” (2019), feito em parceria com o norte-americano John
Finbury. Por este trabalho, a dupla foi indicada ao Grammy Awards de
Melhor Álbum de Jazz Latino em 2020, com Thalma sendo a única
brasileira representante do país a competir neste ano. Como crooner, a
diva gravou o ótimo “Carnaval Só no Ano que Vem”, da Orquestra
Imperial, mostrando toda sua versatilidade vocal.
Atriz talentosa, Thalma de Freitas atuou em dezenas de obras de teatro,
cinema e TV. Ela foi uma das protagonistas do longa O Xangô de Baker
Street (2001) e, posteriormente, em 2004, interpretou Maria da Ajuda em
As Filhas do Vento, filme dirigido por Joel Zito Araújo, com elenco
recheado de grandes estrelas negras como Léa Garcia, Taís Araújo, Ruth
de Souza e Rocco Pitanga. Sua performance lhe rendeu o Kikito de
Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado.
A carreira profissional de Thalma de Freitas começa a ganhar contornos
icônicos quando entra para o elenco do musical "Noturno" da Cia dos
Menestréis, dirigida por Oswaldo Montenegro. No ano seguinte, a atriz
integrou o elogiado espetáculo "Hair”, comandado por Jorge Fernando. A
parceria com o diretor se repetiria em Nas Raias da Loucura, culminando
com o convite para a atriz entrar para o elenco fixo da novela Vira Lata,
sendo a primeira vez que a atriz não precisa cantar em cena.
Até o ano 2000, Thalma de Freitas participou de produções de sucesso na
televisão, entre elas “Xica da Silva” (exibida entre 1996 e 1997 na extinta
TV Manchete), a minissérie global “Dona Flor e Seus Dois Maridos”,
“Malhação”, “Labirinto” e “Andando nas Nuvens”. Então, no ano 2000, ela
daria vida ao papel que a tornou nacionalmente conhecida e é lembrada
até hoje, a Zilda Carvalho, de “Laços de Família”, sucesso estrondoso do
horário nobre da Globo, escrita por Manoel Carlos e dirigida por Ricardo Waddington.
Zilda é presença constante nas cenas envolvendo o núcleo de
protagonistas composto por Helena (Vera Fischer), Edu (Reynaldo
Gianecchini) e Camila (Carolina Dieckmann). Com as recentes
conquistas da classe das trabalhadoras domésticas, a personagem vivida
por Thalma acabou sendo um pouco estigmatizada, mas o papel é fonte
de orgulho para a atriz.
“Eu fiquei muito feliz, muito satisfeita e muito honrada. A
nova geração não tem muita perspectiva, mas antigamente o
personagem da empregada doméstica, ela entrava no
serviço, servia o café e ia embora. Não era uma pessoa, mal
tinha nome. Foi a primeira vez que o personagem da
empregada doméstica era um personagem, que tinha cena
sozinha, que interagia com vários personagens, que se metia
numa briga. Isso era muito raro, nunca tinha acontecido
antes. Exceto em história de época que aí você era escrava. “
- Thalma de Freitas
Em 2001, mais um sucesso na carreira da atriz. No papel da advogada
Carol, em “O Clone”, ela faz par romântico com Osmar Prado, que
interpreta Lobato, um advogado brilhante, mas dependente químico. A
personagem de Thalma era compreensiva, mas dura na medida certa ao
ajudar o parceiro a sair do vício.
Após “O Clone”, a artista esteve em “Kubanacan”, “Bang Bang”, “Sete
Pecados”, e em duas temporadas de “Malhação”. Desde o fim da
temporada 2012 de Malhação, Thalma vive em Los Angeles, junto com
seu marido, o fotógrafo Brian Cross e a filha do casal.
Ao longo da carreira, Thalma sempre foi lembrada pelo talento único
entre seus pares. Colaborou com uma série de artistas renomados, tanto
na música quanto no cinema. Além dos já citados Oswaldo Montenegro
e Jorge Fernando, ela esteve em trabalhos com Carlos Saldanha e Walter
Salles, colou seu talento junto a músicos como João Donato, César
Camargo Mariano, Orquestra Imperial, participou do álbum “The
Epic”, do aclamado, do saxofonista americano Kamasi Washington,
recebendo reconhecimento nacional e internacional.
Thalma de Freitas é uma artista multifacetada que continua a cativar
audiências com sua voz poderosa, presença carismática e talento
excepcional tanto na música quanto na atuação.
Com uma carreira consolidada, financeiramente estável, e um rosto
facilmente reconhecível pelo público, a multiartista decide se arriscar
sendo mais que uma atriz que empresta talento através de contrato. Ela
queria aprender a produzir, ser uma agitadora cultural, colocando as
mãos na massa a partir das próprias ideias. “Eu falava sobre isso e as
pessoas não me levavam a sério. Achavam que eu estava doida. Eu perdi
muito dinheiro, entrei numa super crise existencial, estava decidida a
aprender como é que eu mudaria essa chave de ser artista que é
contratada para shows, que é contratada para as coisas para ser a pessoa
que produz”, revela.
Thalma de Freitas é casada com o cineasta, fotógrafo e produtor Brian
Cross, com quem tem um filho. Cross é CEO da produtora e é conhecido
internacionalmente por cobrir parte da história do hip hop através de
icônicas fotografias. Sob seu olhar já foram capturados Outkast,
Kendrick Lamar, DJ Quik, Dr. Dre, Ice Cube, entre outros.
Dentro da relação, Thalma ficou ainda mais motivada a se expandir
como artista e também no fórum pessoal. “Eu estava com 38, eu queria
ter família, queria ser mãe. Eu queria ser e eu fiz”, se orgulha.
Dentro de sua jornada na busca por propósito emocional, espiritual e
profissional, Thalma focou sua força de vontade no aprendizado,
seguindo sua crença de que artistas vêm dotados da capacidade de trazer
novas ideias e soluções para as dores. “A gente possui esse sistema, a
gente tem nossa forma de ver o mundo. Portamos esse tipo de coragem
de pensar fora da caixinha e tentar novos modelos de expressão e
também novos modelos de negócio”, analisa.
Observando as possibilidades de variados modelos de negócios além do
que eram feitos no Brasil, sejam novas formas de produzir teatro, música
ou audiovisual, Thalma se muda para Los Angeles, EUA, em 2012.
Durante a gestação, ela passou a estudar a indústria de cultura do
business estadunidense, focada em todas as possibilidades de se
reinventar e espalhar o que aprendeu entre seus pares.
Nos Estados Unidos, Thalma entrou para a banda do renomado músico
Kamasi Washington, onde participa das gravações do histórico “The
Epic”, álbum de três horas de duração que mistura variados estilos de
jazz. Participar de gravações musicais foi o jeito certo que a artista
encontrou para construir pontes e fortalecer network, se integrar na nova
comunidade, como uma estrangeira de nação, mas irmã de arte.
“Comecei a trabalhar bastante, coloquei a mão na massa, comecei a
produzir para Tulipa Ruiz. gravei com seu Mateus Aleluia, compus
para Gal Costa, abri show para o Sérgio Mendes. No Brasil, em
termos de espaço, posso dizer que passei o bastão como herdeira
espiritual do espaço que eu ocupava para a maravilhosa Jéssica
Ellen”
Nos Estados Unidos, Thalma discotecou para uma das primeiras rádios
digitais do mundo. Seu pioneirismo entre atores de TV em desbravar
novidades tecnológicas fora de sua área de atuação, a fez ficar com mais
vontade de trazer melhores tecnologias ao Brasil, profissionalizar a
gestão da carreira de artistas, já que ela mesma não teve um norte de
gestão estratégica em sua carreira, se conduzindo pelo feeling que
adquire conforme as coisas acontecem. “Eu sabia que se eu conseguisse
solucionar algumas das minhas questões, eu estaria trazendo recursos e
soluções para toda uma categoria”, observa.
De volta ao Brasil em 2022, Thalma de Freitas foi o rosto da campanha
do presidente, marcando sua volta ao alcance do público que se
acostumou a ver seu rosto por anos em novelas. Em seguida, ela entrou
para o elenco da série “Americana”, da Disney/Star+. Ainda que pudesse
seguir levando suas ideias adiante em terreno norte-americano após a
série de trabalhos no Brasil, Thalma planeja plantar, como já vem
fazendo, as sementes de suas ideias aqui no país. “Eu estou chovendo
no molhado lá. Muitos espaços já estão ocupados. O nosso país precisa
mais. Eu tenho muito mais chance de ser feliz no Brasil do que nos
Estados Unidos. Na verdade, eu posso trabalhar mais, produzir aqui,
trazer as coisas que apresndi para cá, fazer a roda girar, ajudar as atrizes e atores a
terem carreiras internacionais, ajudar a exportar nossos talentos”, reflete.
“Eu não estou mais lutando pela minha carreira. Eu quero lutar pela
carreira de outras pessoas também, eu estou mais ambiciosa do que
nunca. Quero abrir caminhos. Quero ser o que Lélia Garcia e Ruth de
Souza foram para minha geração”
( Aquiles Argolo, Maio 2024 )